O Projeto

Pensou a cidade e suas dinâmicas como matérias para o trabalho artístico e sensibilizou a população para questões relativas à ação humana no espaço, à produção da paisagem e à coexistência. Destacou, por meio de ações artísticas e educativas, a retro-alimentação da vida cotidiana em Franco da Rocha a partir das materialidades e simbologias da cidade. Investigou criativamente as percepções dos moradores locais quanto à seus processos e fluxos no dia a dia da cidade.

Com base neste quadro conceitual, Organicidades elegeu o espaço e as dinâmicas urbanas de Franco da Rocha como seu campo de interesse, ou seja, abordou a cidade como a matéria plástica e poética para os artistas participantes. Esta abordagem mais ampla se subdividiu em eixos temáticos como as dinâmicas de circulação e de mobilidade na cidade, as diferentes apropriações (concretas ou simbólicas) do espaço pela população e a recuperação da memória social desde o ponto de vista dos habitantes da cidade, entre outras.

Para tanto, foram propostas uma residência artística, que promoveu o intercâmbio entre os artistas organizadores e artistas de Franco da Rocha, uma exposição, cinco oficinas temáticas em comunidades locais, a criação de um site com os registros das pesquisas realizadas e a publicação de um guia para educadores e agentes multiplicadores.

Inspirado pela obra do teórico italiano Francesco Careri, “Walkscapes: o caminhar como prática estética”, Organicidades promoveu três diferentes níveis de trânsito pelo espaço urbano de Franco da Rocha: o primeiro deles, uma circulação entre diferentes linguagens artísticas investigadas pelos artistas em residência; o segundo, relativo às derivas e explorações investigativas que foram operadas pelos artistas no território local e, o terceiro, que se orientou pelas dinâmicas locais, pelos roteiros que emergem da vida urbana em Franco da Rocha, de seus processos sociais e simbólicos, em diálogo com as vozes da cidade.